Por Larissa Rodrigues, Pesquisadora do NUPEC
A inteligência artificial avança rapidamente, mas seu desenvolvimento não pode ser analisado apenas do ponto de vista técnico. Também é preciso discutir seus efeitos sociais, especialmente quando pensamos nas desigualdades de gênero.
Já reparou que muitas assistentes virtuais são apresentadas com vozes femininas, solícitas e cooperativas? Esse dado não é trivial. Ele revela como a tecnologia pode reproduzir expectativas historicamente associadas às mulheres, como cuidado, obediência e disponibilidade.
O problema, portanto, não está apenas na voz. Como lembra Andrew Feenberg, as tecnologias não são neutras: elas incorporam valores, interesses e visões de mundo. Nesse sentido, os sistemas de inteligência artificial podem reproduzir vieses sociais já existentes. Lynn Alves chama atenção para o fato de que esses vieses podem se manifestar em diferentes dimensões, como gênero, raça, idade e renda.
Esse debate não é novo. Wassermann mostra que, desde os anos 1980, pesquisadoras e pesquisadores já alertavam para o risco de sistemas computacionais reforçarem estereótipos e preconceitos, sobretudo em contextos de baixa participação feminina nas áreas tecnológicas.
Discutir gênero e inteligência artificial é, portanto, discutir poder, representação e justiça. Se os sistemas aprendem com dados produzidos em sociedades desiguais, eles podem reproduzir essas desigualdades. Por isso, ampliar a participação feminina no desenvolvimento tecnológico e promover uma leitura crítica da IA são passos fundamentais para construir tecnologias mais justas, inclusivas e socialmente responsáveis.

🇧🇷 O desenvolvimento da Inteligência artificial não pode ser analisado só do ponto de vista técnico, pois ela não é neutra. Incorpora valores e interesses. Por vezes, ela pode reproduzir expectativas historicamente associadas às mulheres, como cuidado ou obediência. Então, o debate sobre gênero e inteligência artificial exige uma discussão sobre poder, representação e justiça. Por isso, ampliar a participação feminina é essencial para tecnologias mais justas e sociais.
🇬🇧 The development of artificial intelligence cannot be analyzed solely from a technical standpoint, as it is not neutral. It incorporates values and interests. At times, it can reproduce expectations historically associated with women, such as caregiving or obedience. Therefore, the debate on gender and artificial intelligence requires a discussion about power, representation, and justice. For this reason, increasing female participation is essential for fairer and more socially responsible technologies.
🇪🇸 El desarrollo de la inteligencia artificial no puede analizarse únicamente desde un punto de vista técnico, ya que no es neutral. Incorpora valores e intereses. En ocasiones, puede reproducir expectativas históricamente asociadas a las mujeres, como el cuidado o la obediencia. Por lo tanto, el debate sobre género e inteligencia artificial requiere una discusión sobre poder, representación y justicia. Por ello, aumentar la participación femenina es esencial para lograr tecnologías más equitativas y socialmente responsables.
🇨🇳 人工智能的发展不能仅仅从技术角度进行分析,因为它并非中立的。它蕴含着价值观和利益。有时,它会重现历史上与女性相关的期望,例如照顾他人或服从。因此,关于性别与人工智能的讨论需要探讨权力、代表性和公平性。正因如此,提高女性的参与度对于构建更公平、更具社会责任感的技术至关重要。
REFERÊNCIAS
ALVES, Lynn Rosalina Gama (org.). Inteligência artificial e educação: refletindo sobre os desafios contemporâneos. Salvador: EDUFBA; Feira de Santana: UEFS. Editora, 2023.
FEENBERG, Andrew. Transforming technology: a critical theory revisited. New York: Oxford University Press, 2002.
WASSERMANN, Renata. Elas na inteligência artificial – Questões de gênero. Revista USP, n. 141, n. 121-132, 2024.
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Publicado em 14 de abr. de 2026 por Anaís Gusmão – Ascom/NUPEC






