Por Júlio de Paula, Pesquisador do NUPEC
A partir de uma entrevista concedida por Mark Zuckerberg em 29 de abril de 2025, o trabalho analisa como a Inteligência Artificial vem sendo apresentada por grandes plataformas não apenas como ferramenta técnica, mas como promessa de companhia, escuta e mediação afetiva.
O estudo examina 759 comentários publicados no YouTube, articulando humanidades digitais críticas, análise do discurso tecnopolítico e ferramentas de Processamento de Linguagem Natural, como IRaMuTeQ e TextBlob.
Entre os achados, o trabalho identifica três registros no discurso de Zuckerberg: o tecnocientífico, que legitima a IA pela autoridade técnica; o afetivo-comercial, que aproxima a tecnologia da vida cotidiana e da promessa de companhia; e o performativo-individualista, que associa inovação, produtividade e autogestão.
Ao tratar a solidão como problema social e político, o trabalho demonstra que a automação emocional não resolve o isolamento estrutural: tende a convertê-lo em produto, dado e rentabilidade tecnocapitalista.
O artigo nos ajuda a pensar sobre cibercultura, plataformas digitais e Inteligência Artificial ao defender vigilância epistemológica e ética sobre os modos como código, capital e interfaces redefinem o humano. Em tempos de miragens digitais, preservar a alteridade e a densidade do encontro permanece como tarefa acadêmica, política e civilizatória.

🇧🇷 O artigo analisa como plataformas e algoritmos reconfiguram os vínculos humanos ao transformar solidão, afeto e pertencimento em dados, produtos e experiências personalizadas. A partir da entrevista de Mark Zuckerberg e de 759 comentários no YouTube, o estudo mostra tensões entre promessa tecnológica de companhia e resistência ética à substituição da alteridade por simulações algorítmicas.
🇬🇧 The article analyzes how platforms and algorithms reshape human bonds by turning loneliness, affection, and belonging into data, products, and personalized experiences. Drawing on Mark Zuckerberg’s interview and 759 YouTube comments, the study reveals tensions between the technological promise of companionship and ethical resistance to replacing alterity with algorithmic simulations.
🇪🇸 El artículo analiza cómo las plataformas y los algoritmos reconfiguran los vínculos humanos al convertir soledad, afecto y pertenencia en datos, productos y experiencias personalizadas. A partir de la entrevista de Mark Zuckerberg y 759 comentarios en YouTube, el estudio muestra tensiones entre la promesa tecnológica de la compañía y la resistencia ética a sustituir la alteridad por simulaciones algorítmicas.
🇨🇳 本文分析平台与算法如何将孤独、情感和归属转化为数据、产品与个性化体验,从而重塑人类关系。基于马克·扎克伯格的一次访谈及YouTube上的759条评论,研究揭示了技术承诺提供陪伴与伦理上反对以算法模拟取代他者性的张力。
REFERÊNCIAS
BUSÓN BUESA, Carlos. HUMANIDADE DESCONECTADA: ALGORITMOS, PLATAFORMAS, SOLIDÃO E MIRAGENS DIGITAIS. Convergências: estudos em Humanidades Digitais, [S. l.], v. 1, n. 8, p. 116–141, 2025. DOI: 10.59616/cehd.v1i8.2317. Disponível em: https://periodicos.ifg.edu.br/cehd/article/view/2317. Acesso em: 27 maio. 2026.
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Publicado em 03 de jun. de 2026 por Anaís Gusmão – Ascom/NUPEC






