Por Elaine Palmieri, Resenhista do NUPEC
Como a internet transformou as campanhas eleitorais brasileiras e o lugar ocupado pelo eleitorado? Publicado na revista Convergências: estudos em Humanidades Digitais, o artigo de Iana Oliveira da Silva Aguiar analisa essa mudança por meio de uma revisão bibliográfica qualitativa e descritiva.
O estudo toma as eleições de 2010 como ponto de inflexão da comunicação eleitoral digital. Naquele pleito, sites e redes sociais ainda funcionavam, sobretudo, como extensões das mídias de massa. Nos ciclos seguintes, Twitter, Facebook, WhatsApp, Instagram, YouTube e TikTok ganharam centralidade nas estratégias de mobilização, produção de narrativas e aproximação entre candidaturas e eleitorado.
A mudança vai além do suporte. A comunicação massiva passou a conviver com mensagens segmentadas, personalizadas e impulsionadas por plataformas. O eleitorado deixou de atuar somente como audiência e passou também a produzir, comentar e fazer circular conteúdos. Essa participação pode ampliar o debate público, mas também acelera a difusão de desinformação, campanhas negativas e mensagens orientadas por algoritmos.
Ao percorrer o período de 2010 a 2024, o artigo acompanha a formulação gradual de respostas institucionais, composta por alterações na legislação eleitoral, resoluções do Tribunal Superior Eleitoral e decisões do Poder Judiciário. A digitalização criou novas possibilidades de participação política, mas tornou mais complexos os desafios relacionados à transparência, à regulação das plataformas e à integridade do processo eleitoral.
A contribuição central do estudo está em evidenciar essa ambivalência: as redes digitais aproximam atores, diversificam vozes e ampliam a circulação de informações, mas exigem educação midiática, responsabilidade comunicacional e mecanismos democráticos de enfrentamento à desinformação.

🇧🇷 A partir de uma revisão bibliográfica, o artigo analisa como as plataformas digitais reconfiguraram as campanhas eleitorais brasileiras entre 2010 e 2024. A segmentação das mensagens e a participação ativa do eleitorado ampliaram as possibilidades de mobilização política, mas também favoreceram a desinformação. O estudo discute ainda a construção gradual de respostas legais e judiciais voltadas à integridade do debate democrático.
🇬🇧 Based on a literature review, the article analyzes how digital platforms reshaped Brazilian election campaigns between 2010 and 2024. Message targeting and voters’ active participation expanded opportunities for political mobilization, but also facilitated the spread of disinformation. The study also discusses the gradual development of legal and judicial responses aimed at safeguarding the integrity of democratic debate.
🇪🇸 A partir de una revisión bibliográfica, el artículo analiza cómo las plataformas digitales reconfiguraron las campañas electorales brasileñas entre 2010 y 2024. La segmentación de los mensajes y la participación activa del electorado ampliaron las posibilidades de movilización política, pero también favorecieron la desinformación. El estudio aborda además la construcción gradual de respuestas legales y judiciales orientadas a proteger la integridad del debate democrático.
🇨🇳 本文通过文献综述,分析了2010年至2024年间数字平台如何重塑巴西的选举活动。信息的定向传播以及选民的积极参与扩大了政治动员的可能性,但也助长了虚假与误导性信息的传播。研究还讨论了为维护民主讨论的完整性而逐步形成的法律与司法应对机制。
REFERÊNCIAS
AGUIAR, Iana Oliveira da Silva. POPULAÇÃO CONECTADA: COMO A INTERNET E AS REDES SOCIAIS ONLINE TRANSFORMARAM AS CAMPANHAS ELEITORAIS NO BRASIL. Convergências: estudos em Humanidades Digitais, [S. l.], v. 1, n. 8, p. 203–216, 2025. DOI: 10.59616/cehd.v1i8.2254. Disponível em: https://periodicos.ifg.edu.br/cehd/article/view/2254. Acesso em: 18 ago. 2026.
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Publicado em 24 de ago. de 2026 por Anaís Gusmão – Ascom/NUPEC






