Juliana Fernandes de Lima Sousa, Pesquisadora do NUPEC
A empresa de biotecnologia Lumon é conhecida pelas suas grandes pesquisas no mundo todo. Na empresa, um dos andares do prédio chama a atenção das pessoas por um motivo peculiar: todos os seus funcionários passam pela enigmática ruptura, procedimento cirúrgico para a implantação de um microchip no cérebro que separa as memórias do usuário entre a vida profissional e pessoal. Na série da Apple Tv+ acompanhamos Mark Scout, um funcionário da Lumon e chefe do departamento de refinamento de macrodados, que após perder a esposa e não saber lidar com o luto decide realizar a ruptura como uma tentativa de evitar esse sentimento. Assim, todos os dias, ao entrar pelo elevador da empresa, Mark assume uma “dupla personalidade”, que age somente no ambiente de trabalho e que não possui qualquer memória da sua vida pessoal e vice-versa. Contudo, Mark começa a questionar o real propósito da empresa ao perceber alguns acontecimentos estranhos e peculiares, muitas vezes escondidos dos próprios funcionários, refletindo sobre o poder corporativo, a desumanização e identidade.
Michel Foucault, em “Vigiar e Punir” (1975), explica que o poder não se expressa apenas pela força, mas também através de mecanismos sutis de vigilância e disciplina que devem ser seguidos pelas pessoas para internalizar regras, onde o corpo é o alvo e a ferramenta para exercer esse poder. Ainda seguindo a ideia de vigilância, George Orwell em seu livro “1984” (1949) trás a figura do Grande Irmão como um líder autoritário que julga a todos, controlando o indivíduo por meio da vigilância constante e da perda da identidade. Na série, vemos algo semelhante, onde ao obrigar seus funcionários a realizarem o processo de ruptura, a empresa passa a ter domínio absoluto de uma parte da consciência deles.
As três obras apresentam a ideia de que o poder é exercido de diferentes maneiras. Ele não precisa ser físico, como através da força, mas ao ser aplicado como mecanismo de controle e vigilância, passa a fazer parte do indivíduo, moldando-o e o fazendo questionar a sua liberdade e identidade.
🇬🇧 The Lumon company implants microchips that separate professional and personal memories, prompting Mark Scout to reflect on corporate power, dehumanization, and identity. Foucault views power as internal surveillance and discipline. In Orwell’s “1984,” Big Brother is an authoritarian leader who controls through surveillance. The works portray the idea of imposed power as a mechanism of control and surveillance, becoming part of the individual, questioning their freedom and identity.
🇪🇸 La empresa Lumon implanta microchips que separan la vida profesional de la personal, lo que lleva a Mark Scout a reflexionar sobre el poder corporativo, la deshumanización y la identidad. Foucault trata el poder como vigilancia y disciplina internas. En “1984” de Orwell, el Gran Hermano es un líder autoritario que controla mediante la vigilancia. Las obras muestran la idea del poder impuesto como mecanismo de control y vigilancia y se convierten en parte del individuo, cuestionando su libertad e identidad.
🇨🇳 Lumon公司植入的微芯片将职业记忆与个人记忆区分开来,这促使马克·斯考特反思企业权力、非人化和身份认同。福柯将权力视为内部监控和规训。在奥威尔的《1984》中,老大哥是一位通过监控进行控制的独裁领导人。这些作品将强加的权力描绘成一种控制和监控的机制,成为个人的一部分,质疑他们的自由和身份认同。



