Do lugar de fala à responsabilidade de agir: bolsista do NUPEC apresenta pesquisa a Djamila Ribeiro

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Durante lançamento em Belém, Anthony Emanuel compartilhou com a filósofa materiais produzidos pelo NUPEC sobre misoginia e discurso de ódio contra mulheres nas redes sociais.

Anthony Emanuel e Djamila Ribeiro

Um encontro entre leitor e autora transformou-se em uma oportunidade de diálogo entre iniciação científica, pensamento feminista e intervenção pública. Na noite de 25 de agosto de 2026, Anthony Emanuel Santos Silva, bolsista do Núcleo de Pesquisa em Educação e Cibercultura (NUPEC) e estudante da Licenciatura em História do IFPA Campus Belém, encontrou a filósofa, pesquisadora e escritora Djamila Ribeiro durante a sessão de autógrafos da edição ampliada de Lugar de Fala, realizada na Livraria Leitura do Boulevard Shopping Belém.

Orientado pela professora Kirla Korina Anderson Ferreira, Anthony levou ao encontro materiais produzidos por pesquisadores do NUPEC, entre eles a cartilha Como combater a misoginia e o discurso de ódio nas redes sociais. O estudante integra a equipe responsável pela pesquisa e elaboração do conteúdo da publicação, organizada por Kirla Korina Anderson Ferreira, Klaissa Verônica dos Santos Anderson e Breno Rodrigo de Oliveira Alencar.

A cartilha foi desenvolvida para auxiliar diferentes públicos a reconhecer e enfrentar práticas de violência de gênero nas plataformas digitais. Além de explicar os conceitos de misoginia e discurso de ódio, o material apresenta formas de identificar conteúdos ofensivos, um glossário sobre o ódio on-line e orientações sobre canais de denúncia. Trata-se, portanto, de um produto de divulgação científica que transforma resultados de pesquisa em instrumento educativo e de defesa dos direitos das mulheres.

Ao conhecer o trabalho, Djamila Ribeiro enviou uma mensagem às professoras Kirla e Klaissa: “Fiquei muito feliz com o trabalho que está sendo feito sobre discursos de ódio nas redes sociais, sobre a misoginia”. A filósofa também destacou a importância da participação estudantil e do envolvimento de homens nessa agenda, parabenizou as pesquisadoras e manifestou a intenção de dialogar com a produção do grupo em uma obra que se encontra em preparação.

A observação de Djamila contém uma dimensão pedagógica importante. Homens não falam no lugar das mulheres sobre as violências que elas vivenciam, mas também não podem se colocar fora desse debate. Cabe-lhes reconhecer a posição social que ocupam, examinar criticamente as masculinidades e contribuir para desmontar práticas, discursos e privilégios que naturalizam a violência de gênero. Enfrentar a misoginia exige escutar as mulheres e, simultaneamente, responsabilizar toda a sociedade pela transformação das relações que sustentam essa violência.

O encontro também dialoga simbolicamente com a ideia de “lugar de fala”. O conhecimento não circula de forma abstrata: ele é produzido por sujeitos situados, atravessados por experiências, desigualdades e responsabilidades sociais. Ao apresentar os resultados de sua formação científica a uma das principais referências do feminismo negro brasileiro, Anthony ajudou a construir uma ponte entre universidade, literatura e debate público.

Para o NUPEC, o episódio evidencia que a iniciação científica não termina na elaboração de relatórios ou na apresentação de trabalhos acadêmicos. Ela ganha sentido social quando estudantes conseguem compartilhar o conhecimento produzido, participar de debates públicos e transformar a pesquisa em ação educativa. Como sintetizou o próprio Anthony, o encontro representou um reconhecimento recebido “em uma boa hora” — e reafirmou que combater o ódio também significa conectar pessoas, saberes e responsabilidades.

Ascom/NUPEC

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