Inteligência Artificial e Pesquisa em História Medieval

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Por Júlio César, Resenhista do NUPEC

Como pesquisar milhares de páginas manuscritas sem perder de vista a singularidade de cada fonte? Essa pergunta orienta o artigo “Inteligência artificial e pesquisa em História Medieval: aplicações, desafios e possibilidades”, de Saymon da Silva Siqueira e Adriana Vidotte, publicado na revista Convergências: estudos em Humanidades Digitais.

Com base em uma revisão qualitativa e analítica de projetos e publicações recentes, os autores examinam três frentes de transformação. O Reconhecimento de Texto Manuscrito (HTR) acelera a transcrição de documentos; o Reconhecimento de Entidades Nomeadas (NER) localiza pessoas e lugares em grandes acervos; e a Análise de Redes Sociais (SNA) ajuda a visualizar vínculos entre atores históricos. Nesse caso, “redes sociais” não designa plataformas digitais, mas modelos usados para estudar relações de parentesco, comércio, circulação ou poder.

Os ganhos de escala, porém, não eliminam o trabalho interpretativo. Uma transcrição automática é probabilística e pode conter erros; a identificação de nomes pode impor categorias atuais a sociedades do passado; e a presença de duas pessoas no mesmo documento não comprova, por si só, uma relação entre elas. Por isso, os resultados precisam ser confrontados com as fontes, seus contextos e sua materialidade.

O artigo também chama atenção para a opacidade dos algoritmos, os vieses presentes nas fontes, na digitalização e nos modelos, além das desigualdades de acesso à infraestrutura computacional. Diante dessas questões, a pesquisa histórica não perde importância: ela amplia suas responsabilidades.

A proposta dos autores não é aceitar a tecnologia sem reservas nem recusá-la. É desenvolver uma “crítica das fontes 2.0”, na qual o historiador também se torne crítico do instrumento, documente escolhas metodológicas e transforme padrões computacionais em perguntas historicamente fundamentadas. A IA pode ampliar o campo de investigação, mas a interpretação do passado continua sendo uma tarefa humana, contextual e reflexiva. 

🇧🇷 Publicado na revista Convergências: estudos em Humanidades Digitais, o artigo de Saymon Siqueira e Adriana Vidotte analisa como a IA auxilia a transcrição de manuscritos, a identificação de pessoas e lugares e o mapeamento de redes medievais. O estudo alerta que resultados algorítmicos não são fatos prontos: exigem validação das fontes, transparência metodológica e atenção a vieses, custos e desigualdades.

🇬🇧 Published in Convergências: estudos em Humanidades Digitais, the article by Saymon Siqueira and Adriana Vidotte examines how AI supports manuscript transcription, the identification of people and places, and the mapping of medieval networks. It warns that algorithmic outputs are not ready-made facts: they require source validation, methodological transparency, and attention to bias, costs, and inequalities.

🇪🇸 Publicado en la revista Convergências: estudos em Humanidades Digitais, el artículo de Saymon Siqueira y Adriana Vidotte analiza cómo la IA contribuye a transcribir manuscritos, identificar personas y lugares y mapear redes medievales. El estudio advierte que los resultados algorítmicos no son hechos acabados: exigen validación de las fuentes, transparencia metodológica y atención a sesgos, costes y desigualdades.

🇨🇳 发表于《Convergências: estudos em Humanidades Digitais》的论文由 Saymon Siqueira 和 Adriana Vidotte 撰写,分析人工智能如何帮助转录手稿、识别人名和地名,并绘制中世纪社会关系网络。研究指出,算法输出并不是现成的历史事实;它们仍需经过史料核验、方法透明性审查,并充分考虑偏见、成本与不平等问题。

REFERÊNCIAS
SIQUEIRA, Saymon da Silva; VIDOTTE, Adriana. Inteligência artificial e pesquisa em história medieval: aplicações, desafios e possibilidades. Convergências: estudos em Humanidades Digitais, [S. l.], v. 1, n. 8, p. 235–250, 2025. DOI: 10.59616/cehd.v1i8.2269. Disponível em: https://periodicos.ifg.edu.br/cehd/article/view/2269. Acesso em: 24 ago. 2026.





Publicado em 27 de ago. de 2026 por Anaís Gusmão – Ascom/NUPEC

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