Iniciação Científica na Escola de Aplicação da UFPA: a experiência como orientadora

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Mariana P. Ximenes (Autora convidada da UFPA)

Enquanto docente de Sociologia da Escola de Aplicação (EA) da UFPA dedico parte de minha carga horária de trabalho a pesquisa, o que tem me possibilitado possuir orientandos/bolsistas de iniciação científica alunos da Escola que cursam o ensino médio.

As saídas etnográficas em meu projeto de pesquisa são etapas centrais, pois o Círio de Nazaré. E este tem sido um desafio nessa relação com os bolsistas, que exige negociações, conceções e deslocamentos, meus e deles.

Entre os critérios, nada fáceis para mim de estabelecer já que podem reforçar uma lógica meritocrática, percebi com o tempo como é essencial que o bolsista possua alguma liberdade (o que envolve inúmeras condicionantes) em circular na cidade, especialmente durante o “Tempo do Círio”. Apesar de ser um ponto crítico, já que são adolescentes, menores de idade precisando sair de casa e ir ao encontro de multidões, e a cidade está vivendo o extraordinário, são oportunidades especialíssimas para a pesquisa para eles e para mim. Poder observar e compartilhar com alguém a experiência de viver o Círio de Nazaré pela primeira vez é fantástico. Isto porque, entre outras coisas, é possível observar diferenças geracionais e culturais, que chamar o de diferenças finas, pois são belenenses, portanto, estão inseridos na parte macro da Cultura, fazem parte desse ethos cultural regional, no entanto, não fazem parte do ethos mais específico relacionado a devoção a N.S. de Nazaré e a religiosidade e festividade relacionada.

Vivenciar as saídas etnográficas com eles, tem me proporcionado novos olhares, insights, e trajetórias na pesquisa. São, parafraseando Clifford Geertz, novos ombros sob os quais eu tenho espiado o Círio, e a própria construção da pesquisa etnográfica. E isso inclui, infelizmente, perceber que nos, mulheres, ainda temos nossas possibilidades de circulação pela cidade cerceadas/dificultadas pelas questões de gênero, o que envolve precisar dedicar mais tempo com atividades de cuidado e estar mais vulnerável a violências ao transitar pela cidade, o que na prática nos tira a equidade também no universo da pesquisa enquanto atividade profissional.

🇬🇧 The  “Círio de Nazaré na Cidade” (Círio de Nazaré in the City) project, coordinated by anthropologist Mariana Ximenes at the UFPA Application School, explores, through field research and ethnography, the largest Brazilian Catholic procession. During the research, it was possible to observe the so-called “subtle differences,” which are the cultural and generational differences among the inhabitants of Belém within this macro context of the Círio culture, and not only in the context of devotion and religiosity.

🇪🇸 El proyecto «Círio de Nazaré na Cidade» (Círio de Nazaré en la Ciudad), coordinado por la antropóloga Mariana Ximenes en la Escuela de Aplicación de la UFPA, explora, mediante investigación de campo y etnografía, la mayor procesión católica brasileña. Durante la investigación, se observaron las llamadas «diferencias sutiles», es decir, las diferencias culturales y generacionales entre los habitantes de Belém dentro del macrocontexto de la cultura del Círio, y no solo en el ámbito de la devoción y la religiosidad.

🇨🇳 由人类学家玛丽安娜·希梅内斯(Mariana Ximenes)与帕拉联邦大学应用中小学合作开展的“城市中的纳扎雷圣人”(Círio de Nazaré na Cidade)项目,通过田野调查和民族志研究,探索了巴西规模最大的天主教游行活动。研究过程中,研究人员观察到了所谓的“微妙差异”,即在纳扎雷圣人文化的大背景下,出生于贝伦市的人们(贝伦人)之间存在的文化和代际差异,而不仅仅体现在虔诚和宗教信仰方面。

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