Pesquisadora do NUPEC conquista 1º lugar na categoria Ensino Superior do Prêmio Jovem Cientista

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O Instituto Federal do Pará (IFPA), através do Núcleo de pesquisa em Educação e Cibercultura, foi o grande vencedor da 30ª edição do Prêmio Jovem Cientista, na categoria Ensino Superior. A cerimônia ocorreu no último dia 12 de fevereiro de 2025, no SESILab, em Brasília, marcando a retomada do prêmio após seis anos de interrupção. A conquista reafirma o compromisso do IFPA com a excelência acadêmica e a promoção de pesquisas socialmente relevantes.

Arienny Ramos, vencedora do Prêmio Jovem Cientista; Luciana Santos, Ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação; e Breno Alencar, orientador e coordenador do NUPEC.

A estudante Arienny Carina Ramos Souza, do curso de Licenciatura em História do Campus Belém, recebeu o troféu de primeiro lugar diretamente das mãos da Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, além de um prêmio em dinheiro e uma bolsa de mestrado concedida pelo CNPq. Em seu discurso, Arienny destacou:

“Minha trajetória na ciência exigiu resiliência e superação, e este reconhecimento reforça a importância da representatividade no meio científico. Espero que minha conquista inspire outras mulheres e meninas a acreditarem em seu potencial e persistirem na ciência.”

Arienny Ramos.

O trabalho premiado, intitulado “Gênero e poder no ciberespaço: a dinâmica do assédio sexual contra estudantes do sexo feminino nas redes sociais online do Instituto Federal do Pará, campus Belém”, foi motivado por denúncias de assédio sexual na instituição. Em 2022, estudantes e professores realizaram um protesto que interditou a Avenida Almirante Barroso, em Belém, para exigir providências. A pesquisa foi desenvolvida no Núcleo de Pesquisa em Educação e Cibercultura (NUPEC), vinculado ao curso de Licenciatura em História, nota 5 na última avaliação do MEC, e analisou manifestações de assédio nas redes sociodigitais, combinando revisão de literatura, análise de denúncias e entrevistas com alunas do IFPA. O estudo adotou métodos qualitativos e quantitativos, incluindo a aplicação de questionários virtuais, análise de relatos publicados na imprensa e em redes sociais, além de entrevistas presenciais e virtuais com vítimas de assédio.

Esse conjunto de dados permitiu identificar padrões e compreender fatores sociais e institucionais que perpetuam a prática do assédio no ambiente digital. Além disso, o trabalho resultou na elaboração de uma cartilha, atualmente disponível on-line, que será publicada em breve pela Editora do IFPA, oferecendo orientações para reconhecer, prevenir e denunciar casos de assédio nas redes sociodigitais.

Breno Alencar, orientador da pesquisa, e Arienny Souza, vencedora do Prêmio Jovem Cientista

Após a cerimônia, o orientador da pesquisa, Prof. Dr. Breno Alencar — doutor em Antropologia e coordenador do NUPEC — se pronunciou sobre o significado da premiação:

“A academia, ainda majoritariamente masculina e tecnicista, cria obstáculos para que mulheres — especialmente as que vêm das periferias — ocupem espaços de produção científica. A vitória de Arienny é emblemático, neste sentido, por três razões: é a primeira vez que um Instituto Federal recebe o Prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Superior; destaca uma pesquisa desenvolvida no campo das ciências humanas; e fortalece a representatividade feminina no debate sobre as violências de gênero em todos os espaços sociais, sejam eles presenciais ou digitais.”

O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, com o objetivo de incentivar a pesquisa e valorizar a produção científica no Brasil. A 30ª edição, cujo tema foi “Conectividade e Inclusão Digital”, contou com mais de 800 inscrições em cinco categorias, oferecendo bolsas, premiações em dinheiro e laptops aos vencedores.

Vencedores do Prêmio Jovem Cientista 2024: Wenderson Silva, categoria Mestre e Doutor; Arienny Souza, categoria Ensino Superior; Bernardo Cordeiro, categoria Ensino Médio.

Ao final do evento, os vencedores manifestaram sua gratidão aos organizadores e patrocinadores — em especial ao CNPq, ao Grupo Shell e à Fundação Roberto Marinho —, reconhecendo a importância de programas que estimulem a produção científica.

Cartilha O que é Assédio Sexual Online?

Artigo Gênero e Poder no Ciberespaço

Ascom/NUPEC

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