Samara Souza, Gerenciadora de Mídia do LABTEC
Death Stranding é uma das obras mais complexas dos videogames modernos, justamente por unir camadas narrativas, simbólicas e psicológicas em torno da ideia de conexão. O primeiro jogo foi lançado em 2019 e seu segundo título chegou recentemente, em junho de 2025. O fenômeno do Death Stranding transformou o mundo em ruínas, tornando frágeis as fronteiras entre vivos e mortos. A chuva temporal, que acelera o tempo, funciona como metáfora da finitude, da corrosão inevitável da vida e da urgência de agir antes que tudo se desfaça.
Nesse cenário, o protagonista Sam Porter Bridges, portador e entregador de cargas, carrega não apenas itens essenciais entre cidades, mas também fardos emocionais. Seu medo do toque (no jogo chamado de afefobia) simboliza a dificuldade contemporânea de criar intimidade em uma era hiperconectada, porém marcada pela solidão. A travessia pelo território inóspito é, simultaneamente, uma jornada interior de superação de traumas e de aprendizado sobre confiança e cooperação.
A rede quiral, que Sam deve ativar, funciona como espelho da internet na cibercultura: conecta territórios, compartilha construções e possibilita a colaboração indireta. O sistema de “likes” reforça a lógica do reconhecimento simbólico presente nas redes sociais, mostrando como pequenos gestos podem gerar impacto emocional. A mecânica de cooperação invisível sugere que a solidariedade, mesmo mediada pela tecnologia, pode aliviar o peso da solidão.
Ao unir fenômenos sobrenaturais, redes digitais e conflitos psicológicos, Hideo Kojima constrói uma narrativa em que a sobrevivência depende tanto da tecnologia quanto da capacidade humana de atribuir significado às conexões. Death Stranding nos lembra que, apesar dos aparatos digitais, a ponte mais importante continua sendo aquela que une pessoas por empatia, confiança e solidariedade.
🇬🇧 Death Stranding is a complex video game that interweaves layers of symbolic and psychological narratives around the idea of connection. The protagonist, Sam, carries not only burdens, but also emotional ones. His fear of touch symbolizes the current difficulty of creating intimacy in a hyperconnected, yet lonely, age. The game reminds us that, despite digital devices, the most important bridge is the one that unites people through empathy, trust, and solidarity.
🇪🇸 Death Stranding es un videojuego complejo que entrelaza capas de narrativas simbólicas y psicológicas en torno a la idea de conexión. El protagonista, Sam, no solo carga con cargas, sino también emocionales. Su miedo al tacto simboliza la dificultad actual de crear intimidad en una era hiperconectada y a la vez sumida en la soledad. El juego nos recuerda que, a pesar de los dispositivos digitales, el puente más importante es el que une a las personas a través de la empatía, la confianza y la solidaridad.
🇨🇳 《死亡搁浅》是一款复杂的电子游戏,围绕着“连接”这一概念,交织着层层象征意义和心理层面的叙事。主人公萨姆不仅肩负重担,更饱受情感的煎熬。他对触碰的恐惧,象征着在这个高度互联却又孤独的时代,建立亲密关系的艰难。这款游戏提醒我们,尽管存在着各种电子设备,但最重要的桥梁是通过同理心、信任和团结将人们联系在一起。
Referências:
KOJIMA, Hideo. Death Stranding. PlayStation 4. Kojima Productions, 2019.
KOJIMA, Hideo. Death Stranding 2. PlayStation 5. Kojima Productions, 2025.



