Abimael Nonato de Souza, Gerenciador de Mídias do NUPEC
O presente estudo examinou o bolsonarismo e a gestão de Jair Bolsonaro ao longo 2019-2022. O objetivo central é demonstrar como o ciberespaço transcende sua função de plataforma comunicacional para se tornar o vetor de um projeto político que saiu da esfera virtual para se materializar e produzir efeitos concretos fora do ambiente digital. Nesse contexto, o movimento articulou uma estratégia complexa de desestabilização institucional, notabilizada pela negação sistemática de pilares democráticos e científicos.
O Bolsonarismo empreendeu uma estratégia complexa de guerra cultural e política, cujo alvo principal era desmantelar a credibilidade de estruturas mediadoras essenciais. Essa estratégia concentrou-se na negação de dois pilares fundamentais: a Ciência e a Democracia. Essa dualidade de ataque foi crucial para a coesão da base e a ampliação da desconfiança social.
A primeira frente manifestou-se na esfera sanitária. Durante a pandemia (2020–2021), o negacionismo foi difundido viralmente no ciberespaço, transformando-se em política de deslegitimação. A rejeição às vacinas e aos protocolos de saúde pública, propagada por discursos de ironia e descrédito, configurou um ataque direto ao conhecimento científico.
A segunda frente, crítica para a ordem democrática, concentrou-se no sistema eleitoral. A veiculação incessante de narrativas de fraude nas urnas eletrônicas, serviu como manobra estratégica para minar a soberania do voto popular. Essa tática, típica de regimes populistas com inclinações autoritárias, visava pré-condicionar a base eleitoral para a negação de qualquer resultado adverso. Ao questionar a tecnologia fundamental para a lisura do processo, o movimento forjou uma narrativa de ilegitimidade para a subversão da ordem, intensificando a mobilização radicalizada às vésperas e após o pleito de 2022.
Este estudo financiado pela FAPESPA, certifica que a análise netnográfica demonstra a perigosa convergência desses ataques no ciberespaço. Esta zona digital funcionou como um centro de planejamento tático para a produção de efeitos desestabilizadores concretos. A polarização, nutrida de 2019 a 2022, resultou na materialização de uma tentativa de ruptura institucional. Assim, a netnografia confirma que o território digital constitui um dos principais vetores da instabilidade democrática no cenário político brasileiro.
🇬🇧 The research Netnography of Bolsonarism on social media aimed to show how cyberspace transcends its function and becomes a vector of political instability, when using strategies that deny science and democracy. Rejection of vaccines, discrediting of public health, the dissemination of narratives of fraud at the polls were some of the maneuvers to undermine popular sovereignty with the aim of institutional rupture after the 2022 elections.
🇪🇸 La investigación Netnografía del bolsonarismo en las redes sociales tuvo como objetivo mostrar cómo el ciberespacio trasciende su función y se convierte en vector de inestabilidad política, cuando se utilizan estrategias que niegan la ciencia y la democracia. El rechazo a las vacunas, el descrédito de la salud pública y la difusión de narrativas de fraude electoral fueron algunas de las maniobras utilizadas para socavar la soberanía popular con el objetivo de provocar una ruptura institucional tras las elecciones de 2022.
🇨🇳 这项名为“社交媒体上的博索纳罗主义网络志”的研究旨在揭示,当网络空间被用来否定科学和民主时,它如何超越其功能,成为政治不稳定的载体。拒绝疫苗、抹黑公共卫生以及传播选举舞弊的言论,都是旨在破坏人民主权的手段,旨在在2022年大选后造成体制破裂。
Referências:
CESARINO, L. Identidade e representação no bolsonarismo. Revista de Antropologia, v. 62, n. 3, p. 530-557, 2019.
DUARTE, F. Democracia no território digital. Comunicação & Educação, n. 14, p. 27-32, 1999.
FRIAS, E. S. Inteligência artificial, desinformação e populismo digital: como as plataformas digitais impulsionam os movimentos de extrema direita. Razón y Palabra, v. 25, n. 112, p. 12-31, 2021.
ISRAEL, C. B. Um excurso sobre a geografia da internet e do ciberespaço: revisitando os legados teóricos. Boletim Campineiro de Geografia, v. 11, n. 2, p. 221-236, 2021.
KOZINETS, R. V. Netnografia: realizando pesquisa etnográfica online. Porto Alegre: Penso, 2014



