Bridgerton pela perspectiva de gênero

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Kirla Korina Anderson Ferreira

Bridgerton é uma série de streaming produzida pela Shondaland para a Netflix, desde 2020, com a quarta temporada prevista para lançamento em janeiro de 2026. A série é uma adaptação da série de livros da autora norte-americana Julia Quinn e conta a história da Família Bridgerton e os bastidores da alta sociedade inglesa do século XIX.

A cada temporada, a série dá protagonismo ao casamento de cada um dos irmãos Bridgerton. De modo geral, é abordada a forma como são realizados os arranjos sociais para os casamentos, os bailes de apresentação das debutantes, as tensões, fofocas e intrigas na sociedade patriarcal da época e seus meandros (Colling, 2014), o que deixa claro que o casamento movimentava negócios de família, com lugares bem definidos, de acordo com gênero e posicionamento na família.

Sobre estes aspectos, chama atenção a forma como as personagens femininas são construídas e como se movimentam na trama, das quais destaco Lady Whistledown, misteriosa autora dos folhetos, que revelam os escândalos da alta sociedade, e é quem acaba narrando a história da série. É através deles que o primeiro casamento da família Bridgerton não acontece, pois Whistledown revela que o pretenso noivo havia abandonado um filho em segredo. É esta autora anônima que também faz especulações sobre o casamento às pressas de outra personagem, colocando sua reputação em xeque.

O mistério que envolve Whistledown mostra a preocupação da alta sociedade em manter as aparências, a reputação, o prestígio e, consequentemente, suas relações de poder (Weber, 1982). Para além de uma ideia de pertencimento de classe social, que começa a se desenhar nesse período, podemos dizer que na série fica evidente como o peso da racionalização recai sobre as decisões individuais de seus personagens, mesmo sobre as mulheres, considerando a forma como eram vistas naquele período (Colling, 2014).

Desenvolve-se uma pressão para que a verdadeira identidade de Lady Whistledown seja revelada e esta aparece angustiada por não querer escolher entre sua vida profissional de autora e sua vida pessoal, já que, na terceira temporada, está de casamento marcado com um importante cavalheiro da alta sociedade.

A situação vivida por Lady Whistledown, assim como acontece com outros personagens ao longo das temporadas, evidencia o processo de transformação social das sociedades ocidentais para a modernidade. Como analisado por Elias (1990), tal processo é marcado pela necessidade de internalização das regras, normas sociais e de autocontrole por parte dos indivíduos. O impasse entre seguir as regras morais e controlar as emoções é, sobretudo, mais cobrado na trajetória das mulheres em sociedades patriarcais que insistem em subalternizá-las, como se observa em Bridgerton.

🇬🇧 Bridgerton, an American series, portrays the 19th-century English elite, guided by marital arrangements, rigid social control, and a strong concern for reputation. Lady Whistledown’s secret actions, in exposing societal scandals and influencing destinies, highlight tensions marked by patriarchal power relations and the conflicts experienced primarily by women between moral duty and personal desires in a society moving towards modernity.

🇪🇸 Bridgerton, una serie estadounidense, retrata a la élite inglesa del siglo XIX, regida por acuerdos matrimoniales, un rígido control social y una fuerte preocupación por su reputación. Las acciones secretas de Lady Whistledown, al destapar escándalos sociales e influir en los destinos, ponen de relieve las tensiones propias de las relaciones de poder patriarcales y los conflictos que experimentan principalmente las mujeres entre el deber moral y los deseos personales en una sociedad que avanza hacia la modernidad.

🇨🇳 美国电视剧《布里奇顿》描绘了19世纪英国上流社会的生活,他们受婚姻安排、严格的社会控制和对名誉的极度重视所支配。惠斯尔顿夫人通过揭露社会丑闻和影响他人命运的秘密行动,凸显了父权制权力关系带来的紧张局势,以及在迈向现代化的社会中,女性在道德责任与个人欲望之间所面临的冲突。

Referências: 

COLLING, Ana Maria. Tempos diferentes, discursos iguais: a construção do corpo feminino na história. Dourados/MS: Ed. UFGD, 2014.

ELIAS, Norbert. O processo civilizador 1: uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1990.WEBER, Max. Classe, estamento, partido. In: WEBER, Max. Ensaios de sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982. P. 211-228.

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