A MISOGINIA LUCRATIVA DA MACHOSFERA NO YOUTUBE

Publicado por:

Lucas Vieira Farias, Pesquisador do NUPEC

A manosphere, ou em português Machosfera, é um termo cunhado para representar comunidades virtuais presentes em diferentes sites e redes sociais, que espalham discursos masculinistas, sendo assim chamados os discursos que difundem ideais patriarcais e misóginas, com o objetivo de manter uma certa hierarquia social binária de gênero, menosprezando as mulheres e o feminino. 

 Nesse contexto, o Youtube é uma rede social que foi criada em 2005 e utiliza como forma de interação o compartilhamento de vídeos, onde os usuários podem publicar, assistir e/ou interagir com vídeos de outros usuários. A inserção de vídeos de qualquer usuário, sendo anônimo ou perfil pessoal, gera uma ampla gama de temas diferentes dedicados a públicos diferentes, e, entre eles, conteúdos de cunho misógino e masculinista passam despercebidos pela plataforma e se proliferam pela rede. 

O compartilhamento desses vídeos reverbera de forma muito maior e interage com outros usuários,  majoritariamente homens, que concordam com as ideias e assim recompartilham-nas. Frases recorrentes nesses vídeos como “aprenda a evitar esse tipo de mulher”, “uma mulher não resiste quando você faz isso” “ganhe respeito sobre ela fazendo isso” não só põem estigmas sobre como as mulheres deveriam ser, mas também tentam as controlar e colocá-las num lugar de submissão. 

Em meio a tantas interações, aqueles que desenvolvem conteúdo masculinista conseguem extrair renda com a misoginia,  seja por meio das próprias ferramentas de monetização do Youtube quanto por plataformas exteriores. A venda de cursos, e-book’s e até plataformas de apoio fornecem certa quantia aos criadores desse conteúdo,  entretanto os sistemas de anúncio e programa de membros – ferramentas do Youtube – são os que mais geram renda à esses criadores. 

 Trindade (2022) desenvolve como as redes sociais atuais vão utilizar de conteúdos de ódio como forma de rendimento e popularização dessas redes, monetizando em cima desse conteúdo. Diante do exposto, é possível ver de que modo a política de diretrizes da comunidade da rede é falha, não só “apoiando” a proliferação de conteúdos de cunho odioso, como também monetizando em cima disso.  

🇬🇧 The Machosphere reflects the misogynistic and patriarchal virtual communities that proliferate on the internet and aim to reinforce the male social hierarchy. On YouTube, creators of sexist and misogynistic content interact with followers, profit from e-books and online courses and are monetized by the platform itself, which is proving to be ineffective in the fight against the creation of hateful content and, in a way, ends up supporting such content, since it allows it to be reproduced.

🇪🇸La Machosfera refleja las comunidades virtuales misóginas y patriarcales que proliferan en Internet y que pretenden reforzar la jerarquía social masculina. En YouTube, los creadores de contenidos sexistas y misóginos interactúan con los seguidores, se lucran con libros electrónicos y cursos en línea y son monetizados por la propia plataforma, que es ineficaz para combatir la creación de contenidos de odio y, en cierto modo, acaba apoyando esos contenidos, ya que permite que se reproduzcan.

🇨🇳 男性领域反映了互联网上泛滥的厌女和父权制虚拟社群,这些社群旨在强化男性社会等级制度。在YouTube上,性别歧视和厌女内容的创作者与粉丝互动,通过电子书和在线课程获利,并被平台本身盈利。然而,平台本身在打击仇恨内容的创作方面收效甚微,某种程度上反而助长了此类内容的传播,因为它允许这些内容的复制和传播。

Referências:

SCOTT, Joan W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 15, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1990

TRINDADE, Luiz Valério. Discurso de ódio nas redes sociais: estratégias de combate e prevenção. São Paulo: Editora CRV, 2022.

COLLING, Ana Maria. Tempos diferentes, discursos iguais: a construção histórica da mulher como “o outro”. 2. ed. Dourados: Ed. 2014 

SANTINI, R. Marie; SALLES, Débora; BELIN, Luciane L; BELISÁRIO, Adriano; MATTOS, Bruno; MEDEIROS, Stéphanie G.; MELLO, Danielle; GRAEL, Felipe; SEADE, Renata; BORGES, Amanda; MURAKAMI, Lucas; CARDOSO, Rafael; DAU, Erick; LOUREIRO, Felipe; YONESHIGUE, Bernardo; CARMO, Vitor do; MAIA, Felipe. “Aprenda a evitar ‘esse tipo’ de mulher”: estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube. Rio de Janeiro: NetLab – Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Publicado em Dezembro de 2024

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