Pedro Alexandre Abdon, Tradutor do LABTEC
Videodrome segue Max Renn, dono de uma pequena emissora sensacionalista que vive caçando conteúdo cada vez mais extremo para manter a audiência desperta em meio ao tédio cotidiano, e tudo desanda quando ele encontra um misterioso sinal pirata chamado “Videodrome”, um programa cru e violento que parece mais uma tortura transmitida em circuito fechado do que entretenimento; intrigado e meio fascinado, Max decide investigar a origem do sinal, só que a busca o empurra para um labirinto de conspirações empresariais e teorias filosóficas sobre; Max descobre que o tal sinal não é só um programa, mas um estímulo neurológico que provoca tumores, alucinações e mutações físicas, transformando o corpo em extensão literal da tecnologia; Seu corpo abre frestas, absorve objetos e se torna ferramenta de grupos que disputam poder através da manipulação audiovisual, revelando que a mídia não apenas influencia o público, mas pode moldar identidades, fabricar paranoias e reescrever desejos. No fim, Max é arrastado para um colapso total de identidade enquanto o filme martela suas ideias sobre como imagens têm força física, como tecnologia invade o corpo e como o espectador moderno é cúmplice e vítima dessa lógica, criando uma das obras mais incômodas e proféticas sobre mídia, percepção e controle.
Videodrome é frequentemente lido como uma fábula profética sobre a violência mediada e a cultura do espetáculo — e também como um estudo sobre como a tecnologia reconfigura subjetividades. Não é um filme agradável; é um espelho desconfortável sobre o quanto aceitamos sermos moldados por imagens. Cronenberg usa efeitos práticos e cenas de body horror para tornar concreto o abstrato. O ritmo é deliberadamente desconfortável: imagens chocantes, edição que mistura níveis de narrativa e diálogos quase filosóficos que explicam o que está acontecendo. As mutações corporais funcionam como metáfora política: o corpo transforma-se em mensagem — e essa mensagem pode ser codificada por quem controla os meios. O filme discute quem tem direito de escrever o corpo-social, liga sexualidade à agressão e à exposição, mostrando o espectador como cúmplice — e a indústria cultural como pervertida por natureza. Há sempre interesses por trás do conteúdo: grupos empresariais e políticos manipulam sinais para moldar opinião pública ou criar soldados ideológicos. Assim, Cronenberg desmonta a distinção entre imagem e mundo físico: imagens causam efeitos corporais reais, memórias se misturam com transmissões, e o que é “real” vira uma construção mediada por tecnologia.
🇬🇧 With a prophetic narrative about media, control, violence and perception, Videodrome is a Canadian movie that tells the story of a mysterious and violent pirate program that neurologically stimulates and causes hallucinations and physical mutations in its viewers, leading to reflections on how technology invades the body and how the modern spectator is an accomplice and a victim of this logic. The film deals with the interests behind content and how we are shaped by it.
🇪🇸 Con una narrativa profética sobre los medios de comunicación, el control, la violencia y la percepción, Videodrome es una película canadiense que cuenta la historia de un misterioso y violento programa pirata que estimula neurológicamente y provoca alucinaciones y mutaciones físicas en sus espectadores, lo que lleva a reflexionar sobre cómo la tecnología invade el cuerpo y cómo el espectador moderno es a la vez cómplice y víctima de esta lógica. La película trata de los intereses que hay detrás de los contenidos y de cómo éstos nos moldean.
🇨🇳 《录像带谋杀案》(Videodrome)是一部加拿大电影,它以预言式的叙事手法探讨了媒体、控制、暴力和认知等主题。影片讲述了一个神秘而暴力的盗版项目,该项目通过神经刺激诱发观众产生幻觉和生理变异,引发人们对科技如何腐蚀人体以及现代观众如何既是这种逻辑的帮凶又是受害者的反思。影片揭示了内容背后隐藏的利益,以及我们如何被内容塑造。



